Tratamento com cannabis recupera memória de pacientes com Alzheimer comprova estudo inédito

Mais uma vitória da ciência brasileira. Pesquisadores do Paraná confirmaram que pacientes com Alzheimer que receberam cannabis medicinal recuperaram parte da memória e tiveram redução dos sintomas e um avanço mais lento da doença.
A pesquisa inédita foi feita por pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, e prova que a cannabis medicinal pode, sim, ajudar no tratamento do Alzheimer em pessoas idosas.
A pesquisa foi realizada com 28 voluntários com idades entre 60 e 80 anos e durou cerca de seis meses. Elas receberam o extrato com 0,350 mg de tetraidrocanabinol (THC) e 0,245 mg de canabidiol (CBD) – dois compostos químicos presentes na cannabis – e tiveram resultados significativos no tratamento dos sintomas da degeneração que a doença provoca.
Primeiro estudo do mundo
Os cientistas dizem que este estudo, que começou em 2022, é o primeiro ensaio clínico do mundo a comprovar que os compostos químicos da planta são eficazes para melhorar a memória em pacientes com a doença.
Depois que os pacientes receberam o tratamento – uma parte tomou cannabis medicinal e outra um placebo – os pesquisadores fizeram testes de memória nos idosos e tiveram os melhores resultados possíveis.
Eles acreditam que o tratamento pode indicar uma restauração de parte das células prejudicadas. “Estamos demonstrando que a cannabis tem potencial e pode tratar o Alzheimer”, disse ao g1 o professor Francisney do Nascimento, que coordenou o estudo e lidera o Laboratório de Cannabis e Psicodélicos (LCP) da Unila.
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Paciente que melhorou
Dona Nair Kalb Benites, de 76 anos, foi uma das pacientes tratadas pelos pesquisadores da Unila. Natural de Foz do Iguaçu, ela foi diagnosticada com Alzheimer em meados de 2017.
Depois do tratamento, o filho dela, Nestor, de 54 anos, contou que a mãe teve grande melhora. “Ela era agitada, nervosa, irritada. Qualquer coisa estava brigando, gritando. Hoje não, ela é bem tranquila, sossegada”, diz.
O extrato que a dona Nair usa hoje no tratamento é fornecido pela universidade. “Eu só sinto muito de a gente não ter conseguido isso antes. Eu acredito que, se a gente tivesse feito com mais antecedência, hoje ela não estaria nessa situação”, afirmou.
Com o age a doença
O Alzheimer é uma doença degenerativa e progressiva que causa a morte progressiva dos neurônios, as células do sistema nervoso que levam sinais que permitem ao corpo controlar funções como raciocínio, movimentos e sensações.
Dados divulgados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024 apontam que 1,2 milhão de pessoas vivem com a doença no Brasil.
Segundo com o Ministério da Saúde, o mal de Alzheimer representa até 70% dos casos de demência, grupo de sintomas que afetam o sistema cognitivo. A organização Alzheimer’s Disease International (ADI) aponta que, até 2030, a demência vai afetar cerca de 78 milhões de pessoas em todo o mundo.
A pesquisa inédita
Segundo o professor Francisney, o primeiro estudo, feito em 2022, foi o primeiro na literatura mundial a mostrar que a cannabis poderia melhorar a memória de um paciente com Alzheimer. Isso foi importante para chegar aos resultados da pesquisa publicada em 2025, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace), e a Johns Hopkins University School of Medicine, nos Estados Unidos.
“A gente praticamente estabeleceu [em 2022] qual era a dose que a gente ia utilizar e o ponto onde ele melhorava: era uma dose minúscula de cannabis e com redução muito grande de efeito colateral”, explicou o neurologista Elton Gomes.
“De forma inédita, é o primeiro estudo que mostra que, ao longo do tempo, os pacientes que recebem a cannabis recuperam memória, ganham pontos na escala cognitiva, enquanto os pacientes com placebo seguem o declínio natural da doença”, afirma o coordenador do LCP.
Próximos passos
Depois do período de testes, os pesquisadores da Unila continuam avaliando os pacientes, após os seis meses de tratamento.
Os tratamentos que incluem compostos da cannabis ainda são considerados experimentais, com pesquisas em diferentes fases de testes pelo mundo.
Apesar dos resultados positivos, a eficácia do tratamento ainda precisa de novos estudos – com grupos maiores de pacientes e acompanhados por mais tempo – para ser confirmada.
Agora os cientistas querem entender se os canabinóides podem ajudar a prevenir a doença.

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