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Cães roubados por traficantes de carne fogem de abatedouro e andam 17 km para voltar ao lar; vídeo

Monique de Carvalho
24 / 03 / 2026 às 09 : 31
Sete cães foram roubados por traficantes de carne, fogem do abatedouro e volta para casa - Foto: The Tribune
Sete cães foram roubados por traficantes de carne, fogem do abatedouro e volta para casa - Foto: The Tribune

Sete cães roubados por traficantes de carne na província de Jilin, no nordeste da China, conseguiram escapar de um cativeiro e percorreram mais de 17 quilômetros até retornar às casas de origem. O caso foi registrado por motoristas e ganhou repercussão nas redes sociais em todo o mundo.

Os animais haviam sido levados de uma mesma comunidade rural para abastecer um açougue clandestino, prática que ainda ocorre em algumas regiões do país, especialmente durante o inverno. A ausência de uma legislação nacional que proíba o consumo de carne canina contribui para esse tipo de ocorrência.

A fuga em grupo, organizada ao longo de uma rodovia movimentada, chamou atenção pela forma como os cães se mantiveram juntos durante o trajeto, o que facilitou a identificação e o resgate por voluntários locais.

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Fuga em grupo

A história começou a circular no dia 16 de março, quando um motorista identificado como Lu filmou os cães caminhando pelo acostamento de uma estrada em Changchun. As imagens foram publicadas no Douyin e rapidamente ultrapassaram 230 milhões de visualizações.

Nos vídeos, é possível observar os animais se deslocando de forma coordenada. Um corgi aparece à frente, enquanto cães maiores seguem nas laterais e na retaguarda, mantendo o grupo unido.

“Eles pareciam agir em conjunto, como se soubessem exatamente para onde estavam indo. Ficou claro que não eram cães abandonados”, relatou o motorista ao jornal chinês Shouth Chine Morning Post.

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Origem dos cães

Segundo a base de resgate Bitter Coffee, os sete cães pertencem a três famílias da mesma vizinhança e tinham convivência frequente antes do desaparecimento.

A principal hipótese é que os animais tenham sido capturados e colocados em um caminhão, utilizado no transporte para abate. Durante uma parada, eles teriam conseguido escapar, iniciando o trajeto de volta por conta própria.

O grupo incluía raças como pastor alemão, golden retriever e corgi. Um dos cães apresentava ferimentos, o que reforçou a suspeita de que houve tentativa de contenção antes da fuga.

Monitoramento com drones ajudou no resgate

Após a viralização dos vídeos, voluntários passaram a acompanhar o deslocamento dos cães. Drones foram utilizados para localizar o grupo ao longo da rodovia e garantir que o trajeto fosse concluído com segurança.

A estratégia permitiu evitar que os animais se dispersassem ou sofressem acidentes durante o percurso. O reencontro com os tutores foi confirmado no dia 19 de março.

Um dos proprietários afirmou que o retorno ocorreu sem intervenção direta no deslocamento. “Foi possível identificar que eles estavam seguindo na direção correta desde o início”, disse.

Mercado clandestino e lacuna na legislação

De acordo com a Associação de Proteção Animal de Dalian, o uso de cães roubados é comum nesse tipo de comércio. A criação específica para abate é considerada cara, o que torna o furto de animais uma alternativa mais frequente para fornecedores ilegais.

No norte da China, o consumo de carne canina ainda está associado a tradições culturais, principalmente durante períodos de frio intenso.

Embora cidades como Shenzhen tenham proibido o consumo de cães e gatos desde 2020, não existe uma lei nacional que trate do tema. Esse cenário cria um espaço legal que dificulta a fiscalização e a punição de práticas relacionadas ao comércio.

Repercussão amplia debate sobre proteção animal

A confirmação do retorno dos sete cães repercutiu entre usuários das redes sociais chinesas. Parte das manifestações destacou a necessidade de ampliar a legislação de proteção animal no país.

Comparações com roteiros de cinema também apareceram nas publicações, mas o foco principal das discussões se manteve na ausência de regras nacionais sobre o tema.

O caso segue sendo citado por organizações e ativistas como exemplo recente dentro de um debate mais amplo sobre o tratamento de animais domésticos na China.

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