Fome infantil caiu 30% no Brasil; menor índice desde 2004; diz MDS

Ainda tem muito o que fazer, mas já é uma vitória. A fome infantil caiu quase 30% no Brasil em um ano, o menor patamar de insegurança alimentar grave entre crianças e adolescentes na série histórica do IBGE, iniciada em 2004.
O país passou de cerca de 2,5 milhões de crianças e adolescentes em insegurança alimentar grave, em 2023, para 1,8 milhão em 2024.
Os dados divulgados esta semana pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e mostram sinais consistentes de melhora no acompanhamento nutricional e na redução da fome infantil no país.
Magreza diminuiu
Entre 2022 e 2025, a magreza acentuada caiu de 2,8% para 1,8%, e a obesidade recuou de 6,4% para 5,7%.
No mesmo período, 64% das que tinham magreza, atingiram peso adequado, e, entre aquelas com sobrepeso ou obesidade, 57% passaram a ter peso adequado para a idade.
Estudo da SECF, de 2025, mostra que entre crianças com baixa estatura em 2019, 77% apresentavam altura adequada em 2023. Segundo o IBGE, com base na Ebia aplicada à PNAD Contínua: 3,6% das crianças e adolescentes de zero a 17 anos viviam, em 2024, em domicílios com insegurança alimentar grave, isso representava 4,8% em 2023.
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O que motivou a queda da fome
Várias ações fizeram a fome cair, entre elas, os repasses do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Em fevereiro de 2026, esses repasses tiveram aumento médio de 14%, somando-se à ampliação de 28% a 35% realizada em 2023. Atualmente, o programa atende 38 milhões de estudantes da rede pública, sendo 7,6 milhões na educação infantil.
Os dados mostram o impacto da escola na segurança alimentar. Em 2024, 8% das crianças e adolescentes de cinco a 17 anos que frequentavam creche ou escola estavam em insegurança alimentar moderada ou grave. Entre os que não frequentavam, o índice era de 16%, o dobro.
O Benefício Primeira Infância, do Bolsa Família, que desde março de 2023 garante R$ 150 mensais a famílias de cerca de 9 milhões de crianças de zero a seis anos, também influenciou no resultado. Há também o benefício para crianças e adolescentes de sete a 18 anos, que assegura o pagamento adicional de R$ 50 mensais por criança ou adolescente a famílias de cerca de 15 milhões de beneficiários nessa faixa etária.
O fortalecimento do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), está entre os motivos da queda da fome entre crianças e adolescentes no Brasil.
A parceria entre a Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF), do MDS, e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) viabilizou o monitoramento da segurança alimentar nos domicílios brasileiros por meio da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia).

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