Araras raras nascem em São Paulo com ajuda da mão humana; preservação

Elas estavam perto da extinção há 3 décadas, agora duas araras raras, chamadas araras-azuis-de-lear (Anodorhynchus leari) nasceram no Zoológico de São Paulo.
Em 2015, o Zoológico de São Paulo tornou-se a primeira instituição da América Latina a reproduzir a espécie com sucesso. De lá prá cá, 23 filhotes nasceram em onze anos, incluindo as duas novas que vieram ao mundo em abril e foram apresentadas agora.
Os novos filhotes, passam a integrar uma estratégia internacional de conservação genética considerada essencial para a sobrevivência da espécie no longo prazo.
De onde são
Os filhotinhos são descendentes do casal Maria Clara e Francisco, responsável por todos os nascimentos da espécie registrados no zoológico.
Parte das aves nascidas na instituição já foi incorporada ao programa de revigoramento populacional na região do Boqueirão da Onça, na Bahia, uma das áreas conhecidas de ocorrência natural da espécie.
“A reprodução da arara-azul-de-lear exige condições bastante específicas. Cada filhote amplia a variabilidade genética da população sob cuidados humanos e fortalece as possibilidades de conservação futura”, disse Fernanda Guida, bióloga responsável pelo setor de aves do Zoológico de São Paulo.
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Por que a população diminuiu?
Elas vêm da caatinga baiana e a espécie sofreu com tráfico de animais silvestres, destruição do habitat e baixa distribuição geográfica.
Isso reduziu drasticamente a população da arara rara nos anos 1990.
Hoje, embora os números indiquem recuperação gradual, especialistas afirmam que a preservação ainda depende de ações integradas entre conservação em campo e manejo sob cuidados humanos.
Como são tratados
Os dois novos filhotes estão sob alimentação assistida e monitoramento veterinário.
O exame genético que identificará o sexo das aves será realizado após o desenvolvimento das penas, utilizadas como amostra laboratorial.
As aves nascidas no Zoológico de São Paulo passam a integrar o studbook internacional da espécie, banco de dados que reúne informações sobre origem, parentesco, reprodução e variabilidade genética dos indivíduos distribuídos em instituições de conservação.
População começa a crescer
Dados do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave) mostra o crescimento gradual da população da arara-azul-de-lear na natureza.
O censo contabilizou 2.273 indivíduos em 2022 e 2.548 em 2024.
A distribuição geográfica restrita, concentrada em áreas da caatinga baiana como o Raso da Catarina e o Boqueirão da Onça, torna a ave particularmente suscetível à degradação ambiental e às mudanças climáticas.
Em 2019, apenas dois indivíduos foram avistados na região do Boqueirão da Onça, situação que acelerou iniciativas de reforço populacional e monitoramento intensivo da espécie.
A arara-azul-de-lear é classificada como “em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza e como “vulnerável” pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
A recuperação da espécie se tornou um dos exemplos mais emblemáticos da conservação integrada da fauna brasileira, modelo que combina pesquisa científica, reprodução assistida, cooperação internacional e preservação de habitat natural.

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