Vacina experimental contra tumor cerebral impede volta do câncer em 42% dos pacientes; estudo

Vai a ciência. Uma vacina experimental contra um tipo agressivo de tumor cerebral impediu que o câncer voltasse em 42% dos pacientes que participaram da pesquisa. O resultado renovou a esperança de pessoas que enfrentam a doença, conhecida por ter alta taxa de recorrência.
O estudo foi divulgado neste mês por pesquisadores do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer (DKFZ), da Faculdade de Medicina de Mannheim e do Hospital Universitário de Heidelberg, na Alemanha. A pesquisa acompanhou 33 pacientes com astrocitomas de alto grau, um tipo agressivo de tumor cerebral, e foi publicada na revista científica Nature.
Segundo o neurologista Michael Platten, um dos coordenadores da pesquisa, o resultado mais surpreendente foi que muitos pacientes permaneceram anos sem apresentar sinais de retorno do tumor. “O fato de o câncer não ter voltado por um período tão longo em vários pacientes foi o que mais nos impressionou”, afirmou.
Como funciona a vacina
Ao contrário das vacinas tradicionais, que previnem doenças, essa é uma vacina terapêutica. Ela é aplicada em pessoas que já têm o tumor e estimula o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células cancerígenas.
O imunizante foi desenvolvido para atingir uma mutação específica do gene IDH1, encontrada em determinados tumores cerebrais agressivos.
Quando identifica essa alteração, o sistema de defesa passa a combater as células que apresentam a mutação.
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Resultados animadores
Os pesquisadores acompanharam os pacientes por até oito anos.
Nesse período, 66% continuavam vivos, índice considerado muito animador para esse tipo de câncer. Além disso, 42% não apresentaram crescimento nem retorno do tumor durante todo o acompanhamento.
Os cientistas ressaltam que os resultados ainda precisam ser confirmados em estudos maiores antes que a vacina possa ser incorporada ao tratamento de rotina.
Esperança para pacientes
Infelizmente, tumores cerebrais agressivos costumam voltar mesmo após cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
Por isso, especialistas consideram que uma vacina capaz de estimular o próprio organismo a combater as células cancerígenas pode representar um avanço importante no tratamento da doença.
Ainda há um longo caminho pela frente até que a terapia esteja disponível para todos os pacientes, mas os primeiros resultados mostram que a ciência continua abrindo novas possibilidades para quem enfrenta um dos cânceres mais difíceis de tratar.

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