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Indígena que andava 8 km, vendia peixe e banana para estudar passou em 1º lugar em Medicina

Lorena Fassina
16 / 08 / 2026 às 15 : 14
Janilson Silva dos Anjos, de 29 anos, pertence ao povo Sateré-Mawé e conquistou o primeiro lugar em Medicina na UFPA, em Altamira. Foto: Reprodução/Instagram/@jan.satere
Janilson Silva dos Anjos, de 29 anos, pertence ao povo Sateré-Mawé e conquistou o primeiro lugar em Medicina na UFPA, em Altamira. Foto: Reprodução/Instagram/@jan.satere

Que orgulho! Um indígena passou em 1º lugar em Medicina depois de uma trajetória marcada por muita persistência. Janilson Silva dos Anjos, de 29 anos, do povo Sateré-Mawé, conquistou a primeira colocação no curso da Universidade Federal do Pará (UFPA), no campus de Altamira, no Pará. A classificação consta no resultado oficial do Processo Seletivo Especial 2025 da universidade.

Natural do Amazonas, Janilson cresceu em uma realidade simples e precisou enfrentar dificuldades desde muito cedo para continuar estudando. Para chegar à escola, caminhava cerca de 8 quilômetros e, em alguns anos, começou as aulas sem ter sequer caderno ou lápis.

“A publicação contou como tudo começou. O restante da história ainda estou construindo aos poucos”, escreveu Janilson recentemente ao agradecer as mensagens que recebeu depois que sua trajetória voltou a ganhar repercussão nas redes sociais.

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Caminhava 8 km e vendia banana para comprar caderno

A infância de Janilson foi de muita dificuldade. Para chegar à escola, ele precisava percorrer cerca de 8 quilômetros. E conseguir estar na sala de aula era apenas parte do desafio.

Houve ano em que Janilson começou a estudar sem ter caderno nem lápis. Para comprar os próprios materiais escolares, vendia banana, farinha e peixe. Professores que acompanhavam a dedicação dele também chegaram a ajudá-lo com materiais para que pudesse continuar os estudos.

Foi assim, com o que conseguia tirar das vendas e com a ajuda que recebia pelo caminho, que Janilson construiu a própria base escolar. “Graças a isso consegui a base de estar aqui hoje”, contou.

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Sonho de ser médico nasceu dentro da família

A escolha pela Medicina também tem relação com experiências muito pessoais. Janilson acompanhou de perto problemas graves de saúde dentro da própria família, situações que ajudaram a despertar nele o desejo de cuidar de outras pessoas.

Um tio enfrentou um câncer, uma irmã recebeu o diagnóstico de uma doença rara e um dos irmãos morreu após contrair malária. Essas experiências fizeram com que a área da saúde ganhasse ainda mais significado para ele.

“Quero ser um profissional dedicado à saúde e ao cuidado com o próximo. Quero fazer a diferença na sociedade”, afirmou Janilson ao falar sobre o futuro que pretende construir na Medicina.

Primeiro lugar foi confirmado pela UFPA

O nome de Janilson aparece no listão oficial da Universidade Federal do Pará como primeiro colocado para Medicina, no campus de Altamira, entre os candidatos indígenas do Processo Seletivo Especial 2025.

A conquista veio depois de anos de estudo e de uma preparação muito diferente daquela cercada por cursinhos, materiais caros e estrutura. Janilson estudou sozinho durante anos até conseguir a aprovação.

Hoje, ele vive uma realidade completamente diferente da época em que precisava vender banana, farinha e peixe para conseguir comprar material escolar. A caminhada até a universidade foi longa, mas o primeiro lugar mostrou até onde aquela insistência nos estudos conseguiu levá-lo.

Aprovação trouxe um novo desafio

Chegar ao primeiro lugar, porém, não encerrou as dificuldades. Para estudar em Altamira, Janilson passou a enfrentar despesas com moradia, alimentação, transporte e materiais acadêmicos longe de casa.

Ele chegou a iniciar uma campanha para arrecadar dinheiro e conseguir enfrentar os primeiros meses da graduação. A situação familiar também exigia atenção, já que os pais são idosos e um dos irmãos sofreu um acidente grave na perna.

Agora, Janilson segue construindo a própria trajetória dentro da Medicina. Aquele menino que já foi para a escola sem caderno nem lápis e vendia o que podia para comprar material hoje ocupa uma cadeira no curso que escolheu.

História voltou a emocionar nas redes

A trajetória de Janilson voltou a circular nas redes sociais e ganhou uma nova onda de mensagens de apoio. Muita gente se impressionou ao descobrir tudo o que ele precisou enfrentar antes de chegar à universidade.

“Foi aí que o próprio Janilson apareceu nos comentários para agradecer. A história do indígena que passou em 1º lugar em Medicina voltou a alcançar milhares de pessoas.

E talvez seja justamente isso que torne a conquista ainda mais bonita. O primeiro lugar em Medicina não apaga os 8 quilômetros percorridos, os anos sem material suficiente ou as vendas de banana, farinha e peixe. Ele apenas marca a etapa em que tudo aquilo começou a ganhar um novo significado.

 

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