Aposentado que fez a primeira telecirurgia robótica pelo SUS passa bem

A medicina encurtou em quase 3 mil quilômetros o caminho para operar seu João Barnabé Sobrinho, de 74 anos. O aposentado estava em Porto Velho, Rondônia, enquanto parte da equipe que comandava o robô cirúrgico trabalhava em Barretos, no interior de São Paulo. João foi o primeiro paciente a passar por uma telecirurgia robótica de longa distância pelo SUS, há dois meses, e hoje se recupera bem.
O procedimento aconteceu em 30 de junho, no Hospital de Amor Amazônia, e retirou um tumor maligno no intestino, descoberto ainda em fase inicial. Durante a cirurgia, os médicos também corrigiram uma hérnia identificada nos exames.
Morador de Ouro Preto do Oeste, em Rondônia, João precisou viajar até Porto Velho para a operação, mas não teve de ir até São Paulo para ser atendido por especialistas de Barretos. A tecnologia levou os médicos até ele.
Cirurgia a milhares de quilômetros
O procedimento foi feito com um robô cirúrgico instalado em Porto Velho. Enquanto o paciente permanecia no centro cirúrgico em Rondônia, médicos em Barretos controlavam à distância os movimentos do equipamento. As duas cidades estão separadas por aproximadamente 2,7 mil quilômetros.
Uma equipe médica também ficou ao lado de João durante todo o procedimento. Esse cuidado é fundamental porque, em uma telecirurgia, profissionais presenciais precisam estar preparados para assumir a operação imediatamente caso haja qualquer problema com o equipamento ou com a conexão.
A cirurgia completa durou aproximadamente cinco horas.
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Conexão especial
Para tornar a operação possível, foi instalada uma rede dedicada entre as unidades do Hospital de Amor.
O sistema precisava transmitir cada movimento feito pelo cirurgião em São Paulo para o robô em Rondônia praticamente em tempo real. A estrutura contou com fibra óptica e uma conexão de segurança para reduzir o risco de interrupções.
Durante o procedimento, a transmissão apresentou latência de 62 milissegundos, segundo o Hospital de Amor. Na prática, isso significa que o intervalo entre o movimento realizado pelo médico e a resposta do robô foi de uma pequena fração de segundo.
Tratamento perto de casa
A experiência abre uma possibilidade importante para pacientes que vivem longe dos grandes centros médicos. Em regiões como a Amazônia, deslocamentos para tratamentos especializados podem envolver centenas ou até milhares de quilômetros.
Com a telecirurgia, especialistas podem participar de operações sem que o paciente precise viajar até a cidade onde eles trabalham. Depois da primeira experiência com João, outros procedimentos do mesmo tipo começaram a ser realizados entre as unidades do Hospital de Amor.
O projeto envolve também os ministérios da Saúde e das Comunicações e busca ampliar o uso desse tipo de tecnologia no SUS.
João segue em recuperação
Apesar de já ter deixado o hospital, João continua sendo acompanhado pela equipe médica.
O aposentado teve o tumor retirado e não apresentou complicações graves após a cirurgia.
Ele contou à imprensa local que ficou impressionado com a possibilidade de ser operado por médicos que estavam em outro estado.
Agora, ele conta os dias para voltar à rotina.

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