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Preso injustamente há 41 anos homem deixa a prisão graças a exame de DNA

Rinaldo de Oliveira
29 / 09 / 2026 às 13 : 14
Douglas Carter, de 71 anos, saiu da cadeia acompanhado do filho, após 41 anos preso injustamente. Exame de DNA mostrou que o material genético encontrado na cena do crime não pertence a ele. - Foto: AP/George Frey
Douglas Carter, de 71 anos, saiu da cadeia acompanhado do filho, após 41 anos preso injustamente. Exame de DNA mostrou que o material genético encontrado na cena do crime não pertence a ele. - Foto: AP/George Frey

Depois de passar 41 anos preso injustamente, condenado à morte por um assassinato que sempre negou ter cometido, Douglas Stewart Carter, de 71 anos, finalmente deixou a prisão. Ele foi libertado nesta segunda-feira, 28 de setembro, em Utah, nos Estados Unidos, graças a um novo exame de DNA que enfraqueceu as acusações contra ele.

O resultado, entregue à Justiça no último dia 22, mostrou que o DNA de Douglas não corresponde ao sangue encontrado na maçaneta de uma porta nem ao material genético recolhido no cabo da faca utilizada no assassinato de Eva Olesen, em 1985.

Douglas saiu da prisão acompanhado do filho, Tyler Anger, que o esperava do lado de fora. Apesar da liberdade, ele ainda não foi oficialmente inocentado. Terá que usar tornozeleira eletrônica enquanto aguarda um novo julgamento. Mas, depois do DNA, os promotores já desistiram de pedir a pena de morte contra ele.

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O reencontro com o filho

Vestindo uma camiseta branca e calça de moletom, Douglas deixou a cadeia com os poucos pertences acumulados nessas décadas na cadeia. O filho empurrava um carrinho com travesseiros, cobertores e alguns documentos apenas.

Tyler foi adotado por outra família quando ainda era bebê e só descobriu a condenação do pai biológico anos depois. Agora, os dois poderão recuperar parte da convivência perdida.

Douglas ficará hospedado em um hotel próximo ao filho e deverá receber acompanhamento psicológico para lidar com as consequências de tantos anos de prisão injusta.

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Policiais e promotor envolvidos na condenação

Douglas foi condenado em 1985 pelo assassinato de Eva Olesen, tia do então chefe de polícia da cidade de Provo. Na época, nenhuma prova física o ligava diretamente à cena do crime. A condenação foi baseada em uma confissão que ele afirma ter assinado após sofrer ameaças dos policiais e baseada em depoimentos de duas testemunhas.

O caso começou a mudar em 2011, quando essas testemunhas foram localizadas no México e retiraram as acusações. Elas afirmaram que receberam dinheiro e presentes da polícia para mentir durante o julgamento.

Também relataram que policiais e promotores ameaçaram deportá-las, juntamente com o filho delas, caso não incriminassem Douglas. As revelações abriram caminho para uma longa batalha judicial. Em 2025, a Suprema Corte de Utah determinou um novo julgamento após identificar irregularidades cometidas por investigadores e um promotor.

O exame que mudou tudo

Com a reabertura do caso, novas análises das provas recolhidas em 1985 e permitiram comparar o material genético encontrado na cena do crime com o DNA de Douglas. O resultado não apresentou correspondência.

Segundo o juiz Derek Pullan, a descoberta enfraqueceu bastante a acusação e contribuiu para a decisão de permitir que Douglas aguardasse o novo julgamento em liberdade.

A família da vítima, no entanto, manifestou preocupação com a libertação e continua pedindo esclarecimentos sobre o assassinato.

Agora, os advogados de Douglas querem que a acusação seja definitivamente arquivada. A promotoria informou que está reavaliando as provas restantes.

As perguntas são: por que não fizeram antes o exame de DNA e o que vai acontecer com os policiais e o promotor envolvidos? E também que matou a senhora, tia do então chefe da polícia da cidade de Provo.

Cabe um belo processo judicial.

Tudo indica que Douglas, preso injustamente por 41 anos, foi vítima de corrupção na polícia e na justiça dos EUA. - Foto: AP / George Frey
Tudo indica que Douglas, o homem preso injustamente por 41 anos, foi vítima de corrupção na polícia e na justiça dos EUA. – Foto: AP / George Frey
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