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Nova caneta contra obesidade faz pacientes perderem até 30% do peso em estudo de fase 3

Rinaldo de Oliveira
01 / 10 / 2026 às 13 : 08
A nova caneta contra obesidade, chamada Retatrutida, é aplicada uma vez por semana, age em três hormônios ao mesmo tempo e ainda não foi aprovada para venda. - Foto: imagem ilustrativa
A nova caneta contra obesidade, chamada Retatrutida, é aplicada uma vez por semana, age em três hormônios ao mesmo tempo e ainda não foi aprovada para venda. - Foto: imagem ilustrativa

Uma nova caneta contra obesidade apresentou resultados fortes em um estudo de fase 3 publicado nesta semana no New England Journal of Medicine. A retatrutida, uma injeção semanal e experimental da Eli Lilly, fez participantes sem diabetes perderem, em média, 28,3% do peso corporal após 80 semanas na dose mais alta.

Entre aqueles que permaneceram no estudo por 104 semanas, a perda média chegou a 30,3%. O estudo, chamado TRIUMPH-1, avaliou adultos com obesidade ou sobrepeso e pelo menos uma condição relacionada ao excesso de peso.

A pesquisa foi publicada nesta terça-feira, 29 de setembro, e representa uma das etapas finais antes de uma eventual aprovação do medicamento.

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Como funciona a nova caneta

A retatrutida é aplicada uma vez por semana e a diferença é que ela atua ao mesmo tempo em três receptores hormonais: GLP-1, GIP e glucagon. Esses hormônios participam do controle da fome, da saciedade, da glicose no sangue e do metabolismo.

É por isso que a retatrutida vem sendo chamada de “triplo agonista”.

Medicamentos já conhecidos, como semaglutida e tirzepatida, agem em um ou dois desses caminhos.

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Quanto os pacientes emagreceram

No estudo, os participantes foram divididos em grupos que receberam doses de 4 mg, 9 mg e 12 mg da retatrutida ou placebo. Na dose de 4 mg, a perda média de peso foi de 19% após 80 semanas. Na dose de 12 mg, chegou a 28,3%.

Quase metade dos participantes que receberam a dose mais alta perdeu pelo menos 30% do peso corporal.

Entre os participantes com obesidade mais grave que continuaram no estudo por 104 semanas, a perda média chegou a 30,3%. Para exemplificar, uma pessoa com 100 quilos teria, em média, uma redução próxima de 30 quilos nesse grupo.

Ainda não está à venda

Apesar dos resultados, a retatrutida ainda é experimental. Ela ainda não foi aprovada para uso público no Brasil nem nos Estados Unidos e, segundo a própria Eli Lilly, está disponível apenas dentro de estudos clínicos.

A empresa pretende pedir autorização às autoridades regulatórias dos Estados Unidos em 2027.

Isso significa que ainda não há previsão oficial de quando a caneta poderá chegar às farmácias. Também não existe preço definido.

Novo estudo em pessoas com diabetes

Outro estudo de fase 3, apresentado nesta semana no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Milão, avaliou a retatrutida em pessoas com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2.

Nesse grupo, a dose mais alta levou a uma perda média de 20,8% do peso ao longo de 80 semanas.

Mais da metade dos participantes deixou de preencher os critérios de índice de massa corporal para obesidade. A glicemia também melhorou.

A hemoglobina glicada caiu até 1,6 ponto percentual, e até 40% dos participantes chegaram a valores considerados normais para esse indicador.

Efeitos colaterais

Os efeitos adversos mais comuns foram semelhantes aos observados em outros medicamentos que atuam no GLP-1. Entre eles apareceram náusea, diarreia, constipação e redução do apetite.

No estudo com pessoas com diabetes, parte dos participantes interrompeu o tratamento devido aos efeitos adversos, principalmente nas doses mais altas.

Por isso, apesar dos números expressivos de perda de peso, os pesquisadores reforçam que a segurança e os benefícios da retatrutida ainda continuam sendo avaliados.

Apneia do sono

A retatrutida está sendo estudada não apenas para obesidade. A Eli Lilly também conduz pesquisas envolvendo diabetes tipo 2, apneia do sono, dor no joelho causada por osteoartrite, doença hepática ligada ao metabolismo e desfechos cardiovasculares e renais.

Se os resultados continuarem positivos e o medicamento for aprovado pelos órgãos reguladores, a retatrutida poderá se tornar mais uma opção no tratamento da obesidade.

A nova caneta contra obesidade, chamada Retatrutida, é aplicada uma vez por semana, age em três hormônios ao mesmo tempo e ainda não foi aprovada para venda. - Foto: imagem ilustrativa
A nova caneta contra obesidade, chamada Retatrutida, é aplicada uma vez por semana, age em três hormônios ao mesmo tempo e ainda não foi aprovada para venda. – Foto: imagem ilustrativa
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