Primeiro porco clonado no Brasil nasce em SP e pode salvar milhares de vidas humanas

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) anunciaram o nascimento do primeiro porco clonado no Brasil. O animal nasceu saudável, com 2,5 quilos, em um laboratório de pesquisa em Piracicaba, no interior de São Paulo.
O feito faz parte de um projeto científico voltado ao desenvolvimento de técnicas que, no futuro, podem permitir a produção de órgãos para transplantes em humanos. A iniciativa está ligada ao Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da universidade.
A clonagem é uma etapa importante dentro desse processo. Ela permite replicar animais com características específicas, o que pode facilitar estudos e ampliar a produção de órgãos compatíveis com o corpo humano.
Nova fase da pesquisa
O nascimento ocorreu no laboratório do Instituto de Zootecnia ligado à Secretaria de Agricultura de São Paulo. A equipe acompanha o projeto há alguns anos e considera a clonagem um passo necessário para avançar na pesquisa.
O pesquisador responsável pelo experimento confirmou o resultado logo após o nascimento. “Parabéns, vocês entregaram um clone”, disse à equipe envolvida no trabalho.
Segundo os cientistas, a técnica ainda apresenta baixa eficiência. Em centros internacionais, a taxa de sucesso costuma variar entre 1% e 5%. Isso significa que são necessárias várias tentativas até que a gestação chegue ao fim. O professor Ernesto Goulart explicou que diferentes protocolos foram testados até alcançar o resultado. “A gente testou várias questões técnicas diferentes e, finalmente, conseguimos”, afirmou.
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O que é xenotransplante
O estudo está inserido na área conhecida como xenotransplante, que consiste na transferência de órgãos entre espécies diferentes.
Nesse contexto, os porcos são considerados candidatos viáveis porque apresentam órgãos com tamanho e funcionamento semelhantes aos dos humanos.
As primeiras tentativas nessa área começaram na década de 1960. Na época, os experimentos foram interrompidos por causa de rejeições agudas, quando o organismo humano não aceitava o órgão transplantado.
Com o avanço da ciência, pesquisadores conseguiram identificar genes responsáveis por essa rejeição. A partir disso, passaram a desenvolver técnicas para desativar esses genes e aumentar a compatibilidade.
Modificação genética
Além da clonagem, o projeto também envolve a modificação genética dos animais. No laboratório da USP, cientistas inserem genes humanos em óvulos de porcos.
Ao todo, são adicionados sete genes humanos, com o objetivo de tornar os órgãos mais compatíveis com o organismo humano.
Esse tipo de modificação busca reduzir as chances de rejeição após o transplante. Segundo os pesquisadores, o domínio dessa técnica foi alcançado em 2022.
A partir desse ponto, a equipe passou a focar na clonagem, considerada uma etapa mais complexa, especialmente quando envolve animais geneticamente modificados.
Produção em escala ainda é desafio
Até agora, o porco clonado nasceu a partir de um animal sem modificação genética. O próximo passo será aplicar a técnica em embriões já alterados em laboratório.
O objetivo é conseguir produzir esses animais em maior quantidade. Isso é considerado essencial para viabilizar, no futuro, a oferta de órgãos para transplantes.
Atualmente, aproximadamente 48 mil brasileiros aguardam na fila por um órgão. A ampliação das possibilidades de doação é um dos focos das pesquisas.
O projeto foi idealizado pelo professor Silvano Raia, pioneiro na área de transplantes no Brasil.
Próximas etapas e desafios
Os pesquisadores agora se preparam para iniciar testes com embriões geneticamente modificados. A ideia é avançar para estudos pré-clínicos e, posteriormente, clínicos.
“Em um futuro breve, esperamos iniciar os estudos para o fornecimento de órgãos”, afirmou Ernesto Goulart ao G1.
O coordenador do centro de pesquisa, Jorge Kalil, destaca que ainda há etapas importantes pela frente.
Segundo ele, a aplicação prática do xenotransplante exige acompanhamento constante e novos estudos. “É só fazendo os transplantes e estudando que vamos entender melhor o processo”, explicou.
Jorge também aponta a importância de desenvolver a tecnologia no Brasil. A produção local pode reduzir custos e ampliar o acesso dentro do sistema público de saúde.
A expectativa da equipe é que, com o avanço das pesquisas, a técnica possa futuramente contribuir para reduzir o tempo de espera por transplantes no país.
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