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Novo curativo para diabéticos combate infecções e ajuda a pele a cicatrizar feridas; estudo alemão

Rinaldo de Oliveira
08 / 10 / 2026 às 13 : 05
Cientistas alemães desenvolvem um novo curativo experimental, biodegradável, para feridas de diabéticos, contra bactérias e com proteínas que estimulam a formação de pele nova. - Foto: Instituto Fraunhofer-Gesellschaft
Cientistas alemães desenvolvem um novo curativo experimental, biodegradável, para feridas de diabéticos, contra bactérias e com proteínas que estimulam a formação de pele nova. - Foto: Instituto Fraunhofer-Gesellschaft

Um novo curativo para diabéticos, desenvolvido por cientistas alemães, pode combater infecções e, ao mesmo tempo, ajudar a pele a cicatrizar feridas. A tecnologia é voltada, além das pessoas com diabetes, a pacientes com problemas de circulação e feridas crônicas, que podem passar meses sem cicatrizar.

O projeto, anunciado na semana passada, é do Instituto Fraunhofer de Tecnologias e Sistemas Cerâmicos (IKTS), em Dresden, na Alemanha. Os pesquisadores criaram um material biodegradável formado por fibras extremamente finas, capazes de levar substâncias que combatem bactérias e estimulam o crescimento de novas células da pele diretamente para a ferida.

Com ele, os cientistas esperam reduzir as infecções e acelerar a recuperação, além de oferecer uma alternativa de tratamento diante do aumento da resistência bacteriana aos antibióticos. O curativo, em fase experimental, agora precisará passar por testes antes de chegar aos pacientes, o que está previsto para maio de 2027.

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Como funciona o novo curativo

O segredo está na combinação de três componentes com funções diferentes. O primeiro são os bacteriófagos, vírus capazes de atacar e comer determinadas bactérias. Eles podem ajudar a combater microrganismos responsáveis por infecções.

O segundo são proteínas que estimulam o crescimento de novas células da pele e podem contribuir para fechar as feridas mais rapidamente. O terceiro são materiais microscópicos chamados MXenes, que possuem propriedades antissépticas e ajudam a combater os agentes causadores de infecções.

Os pesquisadores querem reunir os três componentes em uma única camada de fibras, semelhante a um tecido muito fino, que libera as substâncias diretamente na área machucada.

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Esperança para pessoas com diabetes

As feridas crônicas representam um problema sério para quem tem diabetes ou dificuldades de circulação sanguínea. Nesses pacientes, até um pequeno machucado pode levar muito tempo para cicatrizar. Em determinados casos, as complicações podem provocar infecções graves e levar amputações.

Só na Alemanha, aproximadamente 1 milhão de pessoas recebem tratamento para feridas crônicas. Os custos chegam a 7,5 bilhões de euros por ano, segundo os pesquisadores.

O cientista Peter Schmieder, integrante da equipe do Fraunhofer IKTS, explicou que a diferença está na presença de substâncias ativas dentro do próprio material. Enquanto curativos convencionais podem proteger a lesão, a nova tecnologia foi desenvolvida para atuar também sobre os microrganismos e os mecanismos de regeneração da pele.

Quando estará disponível

Os cientistas ainda trabalham para incorporar os componentes ao curativo sem comprometer a atividade de cada um. Isso exige cuidados especiais porque os vírus que atacam bactérias e as proteínas usadas na regeneração são sensíveis à temperatura e a outras condições ambientais.

A equipe testa inicialmente os componentes separados e depois pretende reuni-los no mesmo material. O projeto internacional AntiMicroMXen começou em junho de 2024 e tem conclusão prevista para maio de 2027.

Participam da pesquisa instituições da Alemanha, Polônia e Letônia.

O Fraunhofer também procura parceiros clínicos para realizar os testes necessários à aprovação regulatória.

Cientistas alemães desenvolvem um novo curativo experimental, biodegradável, para feridas de diabéticos, contra bactérias e com proteínas que estimulam a formação de pele nova. - Foto: Instituto Fraunhofer-Gesellschaft
Cientistas alemães desenvolvem um novo curativo experimental, biodegradável, para feridas de diabéticos, contra bactérias e com proteínas que estimulam a formação de pele nova. – Foto: Instituto Fraunhofer-Gesellschaft
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