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Fibras de pitanga e cambuci podem combater células cancerígenas, revela estudo da USP

Lorena Fassina
03 / 11 / 2026 às 10 : 05
Pesquisadores da USP descobriram que fibras extraídas da pitanga e do cambuci reduziram a viabilidade de células de câncer colorretal em testes de laboratório. Foto: Pixabay
Pesquisadores da USP descobriram que fibras extraídas da pitanga e do cambuci reduziram a viabilidade de células de câncer colorretal em testes de laboratório. Foto: Pixabay

Uma descoberta promissora da ciência brasileira! Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que fibras de pitanga e cambuci podem ajudar no combate a células cancerígenas. Em testes de laboratório, as substâncias extraídas das frutas reduziram em até 90% a viabilidade de células de câncer colorretal, doença que atinge o intestino grosso e o reto.

A pesquisa é conduzida por uma equipe coordenada pelo professor João Paulo Fabi, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Nos experimentos, as fibras da pitanga provocaram reduções de 20% a 90% na viabilidade das células cancerígenas. Já as fibras do cambuci apresentaram reduções de 20% a 60%, em comparação com células que não receberam tratamento.

Os resultados foram divulgados recentemente e fazem parte de um projeto do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Alimentos Funcionais (INCT FoRC). Apesar dos números animadores, os testes foram realizados apenas em células cultivadas em laboratório. Ainda não há comprovação de que consumir pitanga ou cambuci previna ou trate o câncer em seres humanos, de acordo com o Canal Rural.

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Como as fibras de pitanga e cambuci foram testadas

Os cientistas analisaram fibras solúveis presentes na polpa das frutas, principalmente as pectinas, substâncias naturais que ajudam a dar consistência aos frutos. No cambuci, predominam as pectinas, enquanto a pitanga apresenta uma combinação de pectinas e hemiceluloses.

Para investigar especificamente o efeito das fibras, os pesquisadores retiraram outros compostos presentes nas frutas, como carotenoides e substâncias fenólicas. Depois, colocaram as fibras em contato com células de câncer colorretal cultivadas em laboratório.

As amostras foram testadas em três concentrações diferentes: 0,1%, 0,25% e 0,5%. Os cientistas observaram os efeitos após 24, 48 e 72 horas de exposição, comparando os resultados com células que não receberam as substâncias.

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Fibras da pitanga reduziram até 90% das células viáveis

A pitanga apresentou os resultados mais expressivos. Quanto maior a concentração das fibras e o tempo de exposição, menor foi a viabilidade das células cancerígenas nos experimentos.

O cambuci também apresentou efeitos significativos, mas sem a mesma relação direta entre quantidade de fibras, tempo de exposição e resposta celular. A redução da viabilidade chegou a 60% nas condições avaliadas.

Os pesquisadores também testaram pectinas extraídas de frutas cítricas, que não provocaram o mesmo efeito. A diferença sugere que a composição e a estrutura das fibras podem influenciar a atividade observada.

Cientistas querem descobrir como as fibras agem

A próxima etapa será entender por que as fibras de pitanga e cambuci diminuíram a viabilidade das células cancerígenas. Uma das possibilidades é que estimulem a apoptose, processo natural de morte celular programada.

Outra hipótese é que as substâncias interrompam o ciclo celular, dificultando a multiplicação das células. “Nós vamos estudar se essa diminuição de viabilidade se deu por uma indução de apoptose ou por uma parada no ciclo celular”, explicou o professor João Paulo Fabi.

A equipe pretende aprofundar os testes em culturas celulares e, posteriormente, realizar estudos com animais. Segundo o pesquisador, essa etapa deverá avançar ao longo dos próximos dois a três anos.

Pesquisa também vai investigar a saúde intestinal

Outra frente do estudo envolve a microbiota intestinal, formada pelos microrganismos que vivem no intestino e participam de diferentes processos do organismo.

Os cientistas querem descobrir como as bactérias intestinais interagem com as fibras das frutas e se as diferenças de composição e solubilidade influenciam a fermentação dessas substâncias.

Além da pitanga e do cambuci, os pesquisadores planejam incluir a uvaia, outra fruta nativa brasileira, nas próximas investigações. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre compostos naturais e possíveis aplicações na alimentação.

Frutas brasileiras podem ganhar novas aplicações

A pesquisa também pode contribuir para o desenvolvimento de novos ingredientes alimentícios a partir da biodiversidade brasileira. As fibras extraídas das frutas poderão ser estudadas para diferentes aplicações na indústria de alimentos.

A descoberta é especialmente interessante porque a pitanga e o cambuci apresentam vida útil curta depois da colheita. Atualmente, são utilizados principalmente na fabricação de polpas, sucos, sorvetes e outros produtos.

Com o avanço dos estudos, novas técnicas de secagem e extração poderão ampliar o aproveitamento das frutas e ajudar produtores rurais a reduzir perdas. Essas aplicações ainda dependem de novas pesquisas.

Comer pitanga e cambuci combate o câncer?

Apesar dos resultados promissores, ainda não é possível afirmar que comer pitanga ou cambuci combate o câncer. Os experimentos foram realizados exclusivamente em células cultivadas em laboratório, sem testes em animais ou pessoas.

Além disso, os pesquisadores utilizaram fibras extraídas e preparadas em concentrações específicas, o que é diferente de consumir as frutas normalmente. Os resultados ainda não foram publicados em revista científica e precisam passar por novas etapas de investigação.

A notícia boa é que a ciência brasileira encontrou propriedades interessantes em duas frutas nativas do país. A descoberta abre caminho para novas pesquisas sobre a biodiversidade nacional e possíveis aplicações futuras na saúde e na alimentação.

Leia mais sobre a pesquisa aqui.

Pesquisadores da USP descobriram que fibras extraídas da pitanga e do cambuci reduziram a viabilidade de células de câncer colorretal em testes de laboratório. Foto: Pixabay
Pesquisadores da USP descobriram que fibras extraídas da pitanga e do cambuci reduziram a viabilidade de células de câncer colorretal em testes de laboratório. Foto: Pixabay

 

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